Professor Orônio Nunes Oliveira

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ORONIO NUNES DE OLIVEIRA nasceu em Bom Jesus da Serra – BA, em 25 de agosto de 1980, filho de Antonio Libarino de Oliveira e Maria de Oliveira Nunes. Bacharel em Secretariado Executivo Trilíngue, com proficiência em Espanhol pela Universidade de Salamanca (Espanha) e posgraduado em Psicologia da Educação. Ministra classes de Espanhol em escolas das redes pública e particular. Católico (…) e com aptidão ao esporte e pelas artes, iniciou sua vida literária em 1999 com a publicação dos poemas “Dia Mudo” e “Soneto ao Sejamos”, ao participar do IX e do X Festival de Inverno da Bahia. Em 2000 participou da coletânea “Sementes da Liberdade”, em 2002 publicou o livro “Vida d’um Tropeiro” – biografando seu avô materno, de quem herdou o nome. [Seu último trabalho foi publicado em 2012 (Cárcere das Flores), singularizada pela linguagem coloquial e poética “elomariana”.]

 

Cruzadas da Caatinga

Despertem, despertem, cavaleiros noturnos,
pois jaz o silêncio na alcova da noite
arreiem suas tropas que a estrada se abre;
pelas terras cinzentas estalem os açoites!
Venham comigo recusar o descanso,
violar a ternura dos leitos conjugais
tomem seus escudos, pesadas armaduras
cavalos e espadas dos guerreiros medievais.
A poesia tecida na bandeira da vitória
os aboios sejam salmos na voz do vaqueiro
nunca mais os enganos das terras bem distantes
pelo Sangue sejam livres do pesar derradeiro.
E se escute nossa marcha no Alto da Caatinga
nos planos da Vereda a nossa Capital
as cruzadas ribando pras pontas de todo o mundo
no combate terminante do bem sobre o mal.

 

A Espera

Dezembro se lança sem barras do Norte
Sertano inda espera a chuva cair,
mas sabe que o filho, que há tempo partiu
e que há muito não viu, tá prestes de vir.
Engorda o capado, o último dos macho
na despensa um tacho pra fazer requeijão
a chaleira tá cheia de doce de leite
no batente os enfeite do último São João.
Parece que as horas viajam pra trás
a noite não é mais tão boa de dormir
levanta mais cedo pra limpar os terrero
avisa os compade e convida os vizim.
No alto da serra um cordão de poeira
– Nos carro da fêra é capaz dele vim.
Aperta-se o lenço, – Valei-me oh Maria!
chegô grande dia esperado por mim…
O pai na porteira já abriu a tramela
e a mãe, da janela, faz sua oração
os menino pulano, cantano contente
imagina o presente que lhes traz o irmão.
Ali desce o jovem de roupa granfina
suspira as menina: – Diferente de então!
outra vez já se sabe que tudo é mudado
outro filho roubado das mãos do Sertão.

 

Referências:

Oliveira, Oronio Nunes.
Poesia: Cárcere das Flores. Oronio Nunes de Oliveira. –
Bom Jesus da Serra, 2012. 79p.:il.

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