Fórum de Estudantes 2017

“Só existe vida no sistema democrático”. Com essa fala, Magali Mendes, diretora pedagógica do Colégio Oficina, deu início a um dos momentos mais importantes do ano na escola: o Fórum de Estudantes. Esse é o start de todas as ações da escola, início do processo de construção dos projetos pedagógicos pelos alunos e que culminam com o Oficina in Concert no final do ano.

“Quem educa aposta na esperança. Independente de tempos sombrios, e já vivemos vários, temos que ter a clareza de que só sairemos deles através da construção de lideranças éticas, sérias, comprometidas e responsáveis. Esse é o momento mais importante do ano no Oficina. É o momento em que a gente pega os meninos de 11 anos, dá a mão e leva até o 3º ano. Aí a gente se depara com esses meninos, já com 16 e 17 anos, comportando-se como líderes competentes”, resumiu Magali, refletindo a essência da manhã do último sábado, 06, quando o Fórum de Estudantes reuniu líderes representativos de todas as turmas da escola para entender um pouco mais do tema do ano (“Antropoceno: vida em movimento”), definirem as tarefas de 2017 em torno dele e dividirem as funções de liderança entre todos os principais projetos.

Depois da abertura, em que uma mesa foi formada com representantes da direção e coordenação da escola, o professor Xandão, de Geografia, apresentou um vídeo que mostrou um olhar poético e esperançoso sobre a Terra e depois deu uma pequena aula sobre as eras geológicas e o papel do homem na evolução do planeta.

Após a exposição, a coordenadora do Ensino Médio Gláucia Portela esboçou sobre o tema do ano, traçando também um paralelo com o aprendizado da liderança, ressaltando sobre a representação de direitos e deveres, sinalizando o papel dos eleitos e afirmando que este é um aprendizado constante. Em entrevista, ela corroborou a afirmação: “Este é um momento muito importante porque reforça o conceito de liderança e as responsabilidades que isso envolve. O resultado é a efetiva presença dos alunos na construção dos projetos da escola, um envolvimento total em todas as ideias e estruturas que preparamos e o brilhantismo com que a escola consegue lidar com os temas associados à presença dos alunos nessa construção”. Ainda de acordo a seu pensamento, se não fosse esse modelo de liderança que a escola institui e essa crença que ela dá à opinião e à voz do aluno, talvez os talentos tão conhecidos do Oficina não fossem vistos, visibilizados e aprimorados.

Depois do momento de explanação, todos os representantes do grêmio estudantil, eleitos há algumas semanas com a chapa Nós, foram chamados para assinar o documento que oficializa o estatuto e, um a um, vestidos com camisas brancas, foram aplaudidos. “Pensamos em fazer uma chapa de grêmio estudantil desde a sétima série. Sempre sentimos que iríamos fazer a diferença e que isso iria valer a pena. Porque as mudanças precisam começar de algum lugar e nós queremos começar”, afirmou Maria Eduarda Ribeiro, do 2º ano, presidente do grêmio, depois da foto histórica reunindo os representantes. “No final, o saldo é sempre positivo”, completou Mira Marques, também do 2º ano, vice-presidente do grêmio.

Entre outras ações, a chapa vencedora do grêmio estudantil de 2017 tem como meta estimular os estudantes a multiplicarem as agremiações nas eleições, para variar os temas e o nível de discussão, influenciar as turmas para que os trabalhos elaborados se estendam e dar mais inovação e vitalidade para o cotidiano da escola.

De certa forma, o papel dos líderes de projetos também passa por essas perspectivas: representar uma vontade geral, coletiva, mas também direcionar as ideias particulares no processo criativo. Após as apresentações da mesa, as turmas se reuniram em salas que simbolizavam cada projeto da escola (Conesco, Conselho de Representantes, Grupo Ambiental, Gestão Financeira, Superséries e Oficina in Concert) e discutiram questões como essas. “Como líderes do Oficina in Concert, por termos também uma afinidade artística maior, temos que escutar e representar os colegas, mas também orientá-los pro que possivelmente pode acontecer. Tem muitas ideias que surgem, mas nem todas podem ser absorvidas no projeto. Então a gente tem esse papel de organizar, orientar e auxiliar as opiniões diversas”, afirmou Gabriel Tupy, do 2º ano, líder do Oficina in Concert.

Vicente Sanches, do 2º ano, também já bastante experiente na liderança dos projetos pedagógicos, defendeu um ponto de vista ainda mais amplo: “A gente estabelece uma relação democrática com as turmas, não agimos com autoritarismo, mas também somos referência de liderança, então nossa visão por vezes se impõe naturalmente. Fomos votados pra isso também, pra colocar as nossas visões no processo”.

Como bem disse Magali Mendes, liderança não se irrita e, quando não concorda, argumenta. Para o processo de convencimento acontecer sem imposição, o amadurecimento, o exercício e o trabalho coletivo são importantes. “É pra um Brasil assim que estamos trabalhando”, completou.

 

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