ANTROPOCENO: A VIDA EM MOVIMENTO

  1. Pressupostos

Ø  A cada hora, 9,000 pessoas se somam à população mundial

Ø  A cada hora, 4 Milhões de toneladas de CO2 são emitidos

Ø  A cada hora, 1,500 hectares de florestas são derrubadas

Ø  A cada hora, Atividades humanas adicionam 1.7 milhões de Kg nitrogênio reativo às florestas, campos agrícolas e corpos d’água

Ø  A cada hora, 3 espécies são extintas (1000 vezes mais rápido do que os processos naturais)

  1. Justificativa

Vivemos em um mundo no qual a humanidade pode ter se tornado uma força geológica, ou seja, um fenômeno capaz de transformar a paisagem planetária. Uma influência tão evidente que já se discute a inclusão de mais uma época – o Antropoceno – na tabela do tempo geológico da Terra. No entanto, para que essa nova época não traga, em si, a destruição da espécie que lhe dá o nome, os seres humanos precisam utilizar sua capacidade intelectual para a harmonização de suas sociedades com os limites ambientais do planeta que as sustenta.

Bem-vindos à ‘época da humanidade’! Por séculos, a percepção do mundo, da vida social e dos meios de produção esteve (e está) centrada nos seres humanos. Chamamos essa visão de mundo de ‘antropocêntrica’. Para as pessoas que vivem em sociedades com essa concepção, todos os recursos naturais, e mesmo a própria história da Terra – e do cosmos – converge para apenas um foco: a nossa espécie. Isso criou a ilusão de que a natureza existe para nos servir, e muitas sociedades orientaram suas ações por essa crença. Os humanos, segundo essa perspectiva, teriam regalias como possibilidade de expansão populacional ilimitada, usufruto contínuo de todos os recursos naturais e domínio cego sobre um planeta infinito. No entanto, nosso planeta não é infinito. A Terra é um sistema aberto, de ciclos antiquíssimos, de variadas transformações ambientais – e podemos observar muitas delas por meio do registro geológico. Alterações atmosféricas, geológicas, químicas, biológicas, grandes erupções, grandes extinções e outros acontecimentos do passado podem ser ‘lidos’ nos chamados ‘testemunhos geológicos’, camadas de sedimentos (estudadas pela estratigrafia) que guardam a história das modificações planetárias. O que alguns cientistas discutem agora é o quanto os sistemas de produção humanos alteraram a superfície terrestre e se isso justifica a adoção de um novo tempo geológico: o Antropoceno, momento em que a humanidade, finalmente, marcou sua passagem na história natural.

O homem, enquanto espécie cultural, foi capaz de transformar de forma inigualável e irreversível o ambiente. As mudanças foram tão grandes que se comparam aos maiores fenômenos geológicos dos quais temos notícias. Civilizações que deixaram tantas ou mais marcas que um processo de erupção vulcânica, terremotos ou erosões. O ser humano é, indubitavelmente, uma força de transformação planetária, comparável até mesmo ao meteoro que dizimou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, segundo a Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS).

A seleção artificial faz-se majestosa como a comissão de frente da humanidade: manipulações genéticas; recombinações de DNA; clonagem. O homem conduz o processo com o objetivo de selecionar características desejáveis em animais, plantas e outros seres vivos. Como resultado, o aumento da produção de carne, leite, lã, seda ou frutas. A produção de diversas raças domésticas de cães, gatos, pombos, bovinos, peixes e plantas ornamentais. É uma seleção em que a luta pela vida fora manipulada pela escolha humana. Elementos radioativos espalhados pelas explosões das primeiras bombas atômicas perdurarão por muitos e muitos anos, bem como a alta concentração de dióxido de carbono (CO²) preso nas calotas polares e geleiras glaciais pelo mundo. Embora os exemplos já citados sejam de pouca relevância em uma escala de tempo geológico, outros materiais não o são. Neste grupo, encontram-se as alterações na biosfera, tanto com o extermínio de espécies de animais e plantas em uma velocidade somente vista em extinções massivas do passado, quanto com a sua redistribuição pela superfície da Terra. Essas mudanças seriam vistas, no futuro, como sendo distintas, radicais, permanentes e irreversíveis, de tal modo, que, segundo recentes estudos, o impacto da humanidade é capaz de adiar em até 100 mil anos o início da próxima Idade do Gelo. (lembrando que o último ciclo glacial acabou há 11,7 mil anos). No futuro, a química presente nas rochas indicará as alterações na forma como o carbono circulou pela Terra, com uma composição isotópica diferente do ciclo original. Este é mais um exemplo da magnitude das ações provocadas pelo homem. Na lista de evidências duráveis também está o que um grupo de cientistas da batizou de tecnofósseis: restos fossilizados dos produtos tecnológicos. São rastros de plástico, cinzas, fuligem e concreto que serão reconhecidamente diferentes de tudo que existia ou aconteceu no planeta antes. Talvez, os cientistas do futuro não reconheçam um computador fossilizado, mas perceberão que o contorno de seu monitor, por exemplo, é muito diferente de uma concha ou osso fossilizado.

O homem, cujo poder cognitivo foi adquirido pela evolução gradual de seu cérebro, superou e domou o mecanismo que o fez ser quem é. Todos os elementos das diversas civilizações mundanas dispostas e diversificadas no tempo, um dia, servirão como um quebra-cabeças àqueles que habitarão o futuro, de modo que vos deixaremos por descobrir a história de uma espécie sem igual: o homem colossal. Mas não somos um termo ontológico em si, para atribuir a uma espécie (antropo) os rumos do planeta como se isso independesse dos sistemas criados pelo próprio homem e de suas necessidades de desenvolvimento que causam inúmeras contradições (pense um pouco no termo civilização, por exemplo).

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