Floresta de Memórias

A ideia do “ciclo da vida” agrada muitas pessoas independentemente da fé. Em poucas palavras, é vida se transformando em vida — a morte fica em segundo plano.

O projeto italiano The Capsula Mundi é uma representação perfeita desse conceito.

Desenvolvido pelos designers Anna Citelli e Raoul Bretzel, o projeto consiste em uma cápsula orgânica e biodegradável que é capaz de transformar um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore.

Primeiro, o corpo do falecido é colocado dentro da cápsula e então enterrado. Depois é plantado uma árvore ou uma semente por cima para aproveitar a matéria orgânica.

O projeto veio da ideia de criar uma alternativa ecologicamente sustentável para caixões

Caixão orgânico (1)

Cada cliente pode escolher sua árvore favorita

Caixão orgânico (2)

É a transformação do cemitério…

Caixão orgânico (3)

… em uma floresta de memórias!

Caixão orgânico (5)

Isso sem derrubar árvores para produzir caixões…

Caixão orgânico (4)

… mas plantando vários tipos para gerar mais vida.

Caixão orgânico (6)

O projeto é ousado e mexe em tradições seculares, por isso ainda não foi colocado em prática. A Itália tem leis restritas sobre enterros.

Eu achei a solução incrível. Transformar cemitérios em lugares cheios de árvores (vida) é uma excelente maneira de resgatar boas lembranças das pessoas que se foram.

O que você acha de ser enterrado e dar vida a uma árvore?

Fonte: Capsula Mundi e Awebic

 

Nossa Coordenadora do Ensino Médio, Glaucia, escreveu um texto bacana apresentando o tema para os alunos:

“Passei a semana pensando em que árvore eu gostaria se ser… eu que já pensei em ser tanta coisa, jamais imaginei ser isso! Me vi aeromoça, jornalista, advogada, dançarina, mas árvore, não! Eu que me tornei papéis inimagináveis em meu “fantástico mundo de Gal”, como ser professora e mãe, não gastei um segundinho sequer da minha vida imaginando ser um Ipê Florido, visitado vez em quando por entes queridos, que abraçariam saudosos o meu tronco e sentiriam até o meu perfume, ao se aproximarem da vasta folhagem. Uma árvore frondosa, colorindo a paisagem e gerando uma sombra propicia, para que alguns pudessem ali, fazer o que tanto fiz enquanto vivi: pensar! Os mais próximos, conhecedores de meus segredos, cúmplices do meu caminhar por esta vida, julgariam até ouvir o meu riso, quando por ali, o vento passasse, e, num gesto de respeito e reverência, viria um silêncio, uma poesia, uma canção… Não, eu não estou morrendo, eu estou encantada!

Encantar-se pode ser a suspensão da letargia ou do entorpecimento que nos acomete feito uma doença social; deve ser aquilo que te rouba por um instante da realidade e fascina, agrada, exerce uma influência mágica. Sim, ao invés de tudo terminar em um caixão, eu posso ser a árvore que escolhi e sendo árvore, não estarei morta, estarei bem viva… nossa, eu nunca pensei na beleza de ser uma raiz… Será que isso atenuaria a dor das partidas precoces? Será que diminuiria as saudades? Será que sendo assim, estaríamos ferindo a sacralização da morte? Não sei responder esta e outras questões, mas a ideia de ser uma árvore depois que eu for (ops, ficarei mesmo indo…), causou em mim uma tranquilidade, uma sensação diferente de responsabilidade com o planeta, de fazer parte de um todo. Lá na página marcada em uma rede social, o projeto ilustrado com riqueza de detalhes, abria minha compreensão sobre eternidade num perspectiva poética demais para eu dar conta dela sozinha e sem chorar calada diante da possibilidade que ali se enunciava: ser parte bem viva em uma floresta de memórias!
E você, já escolheu a sua semente? Eu estou um Ipê há dias!
Feliz semana!
Carinhosamente,
Gal”

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